
Garantir a manutenção do escore corporal durante a estiagem requer do pecuarista um planejamento alimentar adequado e suplementação estratégica. Na época da seca, a nutrição correta das matrizes de corte evita perdas de peso e preserva o desempenho reprodutivo e produtivo do rebanho, que podem ser afetados pela redução da quantidade e da qualidade das pastagens.
Para evitar problemas durante o período, o planejamento antecipado é fundamental e deve incluir medidas como o levantamento do número de animais por categoria; o cálculo da demanda alimentar para todo o período; a avaliação da disponibilidade de pasto e de volumosos armazenados; e a definição das categorias que terão prioridade nutricional, como bezerros, novilhas em crescimento e matrizes gestantes.
“O primeiro passo é garantir oferta suficiente de forragem para toda a seca. Quando a disponibilidade de pasto não atende à demanda do rebanho, é necessário complementar a alimentação com volumosos conservados, como silagem de milho, silagem de capim ou cana-de-açúcar, associados à suplementação proteica”, explica o zootecnista e diretor técnico industrial da Connan, Bruno Marson.
Na seca, a proteína da pastagem pode cair para níveis inferiores a 6%, comprometendo a atividade dos microrganismos ruminais, a digestão da fibra e, consequentemente, o desempenho animal. Nesse cenário, o especialista orienta o uso da suplementação proteica para favorecer o melhor aproveitamento do pasto seco e contribuir para a manutenção do peso ou para promover o ganho, dependendo da categoria e objetivos da produção.
A suplementação proteico-energética, por sua vez, é indicada quando o objetivo da propriedade é melhorar o ganho de peso durante a seca. “Essa é uma estratégia amplamente utilizada em sistemas de recria intensiva e na preparação de animais destinados ao abate precoce”, destaca.

Manejo por categoria animal
Em termos de manejo, cada categoria possui exigências diferentes. Para as matrizes gestantes, a prioridade é preservar o escore corporal e minimizar perdas de peso no terço final da gestação. No caso dos bezerros, a estratégia indicada é adotar o creep-feeding, quando possível, aliado ao fornecimento de suplemento proteico-energético para garantir desenvolvimento contínuo e melhor desempenho à desmama, com consumo de aproximadamente 0,3% a 0,7% do peso vivo. Para a recria, a indicação é utilizar suplementação proteica ou proteico-energética, a fim de manter os ganhos e favorecer o desenvolvimento estrutural. Já na fase de engorda, a recomendação é a terminação intensiva à pasto.
Outro ponto de atenção é que o rebanho tenha sempre a sua disposição água de qualidade, por ser um nutriente essencial e seu consumo influenciar diretamente o consumo de matéria seca, o ganho de peso e a saúde animal. Por isso, os bebedouros devem ser monitorados constantemente para garantir disponibilidade e qualidade.
“A combinação de planejamento, reserva de forragem, suplementação adequada e água de boa qualidade é a estratégia mais eficiente para atravessar o período com produtividade e ganho econômico. Quando bem planejada, essa combinação melhora a eficiência reprodutiva, os ganhos de peso e aumenta a rentabilidade da pecuária de corte durante a seca”, finaliza Marson.